Program of Local Development

 

A partir da proposta Desenvolvimento Sustentável da Ilha de Boipeba – DESIBO, Boipeba foi escolhida como "área de espelho" no Programa de formação de Facilitadores de processos de Desenvolvimento Local.

 

 

O Desenvolvimento Local é um processo de integração dos diversos setores produtivos com os setores sócio-culturais, incentivando o empreendedorismo, apoiando micro e pequenos empreendimentos e criando ambientes favoráveis ao surgimento de novos empreendimentos que gerem renda e riqueza para as populações de localidades com baixos índices de desenvolvimento. Com o Desenvolvimento Local se busca a melhoria de qualidade de vida das comunidades e a maior participação destas nas definições do poder político, em favor de um ambiente saudável e socialmente justo, para as gerações atuais e futuras.

O SEBRAE-BA vem dando ênfase à capacitação do seu quadro técnico para atuar sob o enfoque do Desenvolvimento Local, garantindo uma ação focada nos propósitos da organização e respondendo aos desafios impostos pela atualidade. Desafios que deverão ser superados com o envolvimento das comunidades e das parcerias interinstitucionais.

Os objetivos do programa são:

A capacitação dos técnicos do SEBRAE-BA para atuar como facilitadores em processos de apoio ao desenvolvimento local.

A implantação e acompanhamento de processos de Desenvolvimento Local em 4 áreas-espelho.

O estabelecimento de um sistema de indicadores dos processos desenvolvidos nas áreas-espelho

A formação de um Grupo de Referência de Apoio ao Desenvolvimento Local do SEBRAE-BA

 
 

O processo de formação de Facilitadores de Desenvolvimento Local se iniciou em novembro de 2000, com o primeiro curso de facilitadores em Valença e jornadas de campo em Boipeba. A primeira visita na ilha, dia 07 de novembro de 2000, teve como resultado o conhecimento de três dos quatro povoações da ilha pelos técnicos do SEBRAE.

 

Foram realizados pesquisas, entrevistas e relatórios com fotos nos povoados Velha Boipeba, São Sebastião e Moreré. Em Velha Boipeba, a AMABO organizou uma reunião com os moradores e os técnicos, com o objetivo de informar os moradores sobre o programa e os técnicos sobre a situação atual dos moradores da ilha. No mesmo dia foram visitadas diversas instituições em Morro de São Paulo, Valença e Salvador.

Nestas vistas obteve várias informações dos quais se destacam:

A Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR está presente na ilha com três projetos de infra-estrutura

Na vila de Garapuá (Ilha de Tinharé) a Fundação Azul está desenvolvendo um projeto de Gestão de Recursos Ambientais.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul – IDES está desenvolvendo projetos de maricultura e ostreicultura na região e projetos de restauração de monumentos históricos (Forte do Morro de São Paulo e Convento de Santo Antônio em Cairu).

Com base do desenvolvimento territorial, que visa a formação do Capital Humano e Social (informações, conhecimentos, capacidade produtiva, exercício de cidadania, participação social), o Desenvolvimento Produtivo do Território (diversificação das atividades produtivas, melhoria da eficiência e competitividade, cooperação em cadeias produtivas) e a Concertação Interinstitucional para uma Gestão Participativa (criação de um entorno político, institucional e cultural na perspectiva da Gestão Participativa), foram definidos os passos do programa.

 
 
 

Dia 12 de dezembro de 2000, numa reunião em Velha Boipeba, foi apresentada uma cartilha, que tem como objetivo de coletar dados sobre a opinião da população referente o desenvolvimento da ilha. Essa cartilha foi analisada, amplamente discutida e alterada a partir de sugestões apresentadas pelos participantes.

 

No dia 18 de dezembro de 2000, foram realizadas reuniões nos povoados Moreré, Monte Alegre e São Sebastião (Cova da Onça), com o objetivo de nivelar a atuação dos técnicos na área de espelho. Foram desenvolvidas dinâmicas e entrega das cartilhas para a realização de pesquisa frente à opinião pública na ilha. Em Velha Boipeba as cartilhas foram entregues para o grupo de referência. Nestas reuniões foram desenvolvidos trabalhos de planejamento, fazendo um diagnóstico da situação atual, prognosticando a situação futura, se nada for feito, e o futuro desejado pela população local.

Em janeiro de 2001, foram recolhidas e analisadas as cartilhas. A aplicação das cartilhas atingiu mais de 600 pessoas da Ilha de Boipeba, revelando a visão de futuro dos moradores. As respostas nas cartilhas são bem variadas. Seguem aquelas que mais se destacam:

Melhor educação (escolas / capacitação profissional)

Escolas de 2º grau; creche; formar novos professores

Saúde: sistema de atendimento médico de emergência; melhorar postos de saúde e equipe de médicos e enfermeiros; serviço odontológico; sanitários públicos

Geração de emprego; incentivos a projetos e financiamentos; mais trabalho para as mulheres; identificação de oportunidades de negócios que não sofra com a sazonalidade

Saneamento básico: tratamento de água e rede de esgoto; reciclagem e coleta seletiva de lixo; melhorar a limpeza nas praias e ruas

Infra-estrutura: Melhorar as vias de acesso (externa e interna); melhor os meios de transporte; calçamento das ruas; melhorar a iluminação; organizar o movimento de tratores e horários

Turismo mais organizado; equipamentos de lazer e entretenimento; orientar e formar os guias/informantes locais

Melhorar o policiamento

Mau uso dos recursos naturais; sujeira no leito dos rios e ruas; tratores degradando o ambiente

Falta plano de governo discutido com a comunidade; inexistência de controle / regimento no lugar

 

Em março de 2001, a equipe do SEBRAE realizou uma oficina de Diagnóstico Participativo com os moradores da ilha. A partir da teoria de sistemas foram detectados e listados os pontos positivos e negativos da Ilha de Boipeba e seu ambiente, capacitando as pessoas e construindo conhecimentos, que objetivam a melhoria da qualidade de vida.

 
 

Além do Projeto Conceitual e do Diagnóstico Participativo, o programa visa a capacitação permanente da comunidade para a gestão local, podendo planejar e gerenciar, de forma compartilhada, seu próprio processo de desenvolvimento. Para isso, deverá ser constituído um Conselho de Desenvolvimento Local, onde devem estar presentes os principais agentes envolvidos no processo. Uma Equipe Gestora Local deveria funcionar como uma comissão-executiva do Conselho, de caráter operativo. O Conselho de Desenvolvimento Local deverá elaborar um Plano de Desenvolvimento Local, também de forma democrática e participativa.Trata-se da materialização da Visão de Futuro constituída pela própria comunidade da Ilha de Boipeba. A partir do Plano de Desenvolvimento Local se define uma Agenda Local, que estabeleça as prioridades, servindo como base de um Pacto de Desenvolvimento Local entre os diversos parceiros governamentais e não-governamentais.