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Accompagnement
communautaire |
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Relatório de
Monitoramento e Acompanhamento Comunitário
dos estudos sísmicos das empresas
Grant Geophysical do Brasil e
PGS Investigação Petrolífera/Everest
Tecnologia em Serviços
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Introdução
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Desde o ano 2000, empresas da indústria
de petróleo desenvolvem atividades no litoral
do Baixo Sul da Bahia, num ambiente de ecossistemas
frágeis e de alta relevância ecológica
e econômica.
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Em março de 2003, apareceram nas praias
de Guaibim, Morro de São Paulo, Garapuá,
Boipeba, Pratigi e Maraú toneladas de peixes
mortos. Tratava-se de grandes peixes que vivem
em águas profundas do mar, como Dentão,
Cioba, Mero, Agulhão e outros.
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No mesmo período desenvolviam-se atividades
petrolíferas na região, a exemplo
das empresas El Paso que perfurava com uma plataforma
em frente à Ilha de Boipeba e a PGS que
levantava dados na região de Itacaré
a Ilhéus. Levantou-se a hipótese
de que estas atividades teriam causado a mortandade
dos peixes e, como conseqüência, a
Promotoria Pública, adota o Procedimento
Administrativo - P.A. Nº 05/03, para investigar.
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Em abril de 2003, as Promotorias de Justiça
do Baixo Sul realizaram uma audiência pública,
onde representantes da comunidade e das empresas El
Paso e PGS se manifestaram. O representante da El Paso
explicou os procedimentos adotados pela empresa, após
a mortandade, visando pesquisar as possíveis
causas da mortandade de peixes, prevendo a entrega de
um relatório para a data de 23 de maio. O representante
da EVEREST, responsável pelos estudos de impacto
ambiental das atividades da empresa PGS, prometeu os
resultados das análises para um prazo de 3 a
4 semanas.
Em 23 de setembro de 2003, as promotorias realizaram
outra audiência pública para divulgar os
resultados das pesquisas. As duas empresas El Paso e
PGS apresentaram cada uma um laudo que inocentaram as
empresas pela mortandade dos peixes. O perito das promotorias
também não descobriu quem causou a mortandade,
ficando inconclusivas às causas e as circunstâncias
pelas quais ocorreram à mortandade. A população
da região, até hoje, não se conforma
com o resultado tendo em vista que, todos foram prejudicados
pela mortandade de peixes. Os pescadores, porque dependem
diretamente do mar, e quem trabalha com turismo, considerando
que a imagem mórbida dos peixes mortos espalhados
pelas praias do Baixo Sul da Bahia repercutiu para além
da região e do Estado.
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Justificativa
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O IBAMA condiciona a emissão e manutenção
do licenciamento de estudos sísmicos, perfuração
e exploração de petróleo
e gás, a elaboração de um
Estudo de Impacto Ambiental - EIA. O EIA contém
compromissos que condicionam o licenciamento e
as medidas, como o monitoramento da biota marinha
por biólogos contratados.
No caso da mortandade de peixes, nenhum dos monitores
das empresas El Paso e PGS relataram sobre a morte
dos peixes, ou tomaram as providências previsíveis
de avisar o IBAMA de tal fato. Quem denunciou
a mortandade ao IBAMA, ao CRA e à Promotoria
Pública, foram às entidades da sociedade
civil da região.
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A partir deste momento, levantou-se entre os moradores
da região a dúvida sobre o real impacto
das atividades petrolíferas sobre o meio ambiente
e a eficácia do monitoramento que estas empresas
deveriam adotar na execução destas atividades.
Como conseqüência, durante as audiências
públicas para o licenciamento das empresas Grant
e PGS, as associações e colônias
de pescadores reivindicaram a participação
de representantes das comunidades, na forma de um monitoramento
e acompanhamento comunitário - mac.
Os representantes do Escritório de Licenciamento
de Petróleo e Nuclear - ELPN/IBAMA acataram as
solicitações das comunidades e condicionaram
as licenças à realização
do mac.
Esta iniciativa foi ratificada, quando da criação
e da instalação do Conselho de Acompanhamento
do Termo de Compromisso - CAT, em 28 de novembro de
2003, que formalizou através de um Regimento
Interno, aprovado em 18 de março de 2004, a comissão
de monitoramento e acompanhamento comunitário
- mac.
A título de informação, este conselho
resulta da assinatura de um compromisso, n° 55/02
- MPE, entre o Ministério Público do Estado
da Bahia, o Ministério Público Federal
e a empresa El Paso Óleo e Gás do Brasil
Ltda, formalizado na data de 29.01.2003, com o objetivo
de estabelecer as condições adequadas
para assegurar a compatibilidade de todas as fases de
pesquisa, exploração e de produção
de petróleo e/ou gás natural na Região
do Baixo Sul, executadas ou passíveis de execução,
referentes ao Bloco BMCAL-4, com as ações
de preservação e defesa ambiental, bem
como com as demais atividades econômicas, a exemplo
do turismo, da pesca e do agro-negócio.
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Objetivos
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O monitoramento comunitário tem como perspectiva
o acompanhamento do trabalho das diversas empresas,
envolvidas em pesquisa, perfuração e exploração
de petróleo e gás natural na área
do Baixo Sul da Bahia e para tal ele foca os seus objetivos
em:
-
Acompanhar sob forma de monitoramento diário
as atividades de pesquisa e exploração
de petróleo e gás, em complementaridade
a fiscalização do IBAMA e dos demais
órgãos responsáveis.
-
Facilitar a troca de informações
e experiências entre os funcionários
das empresas, durante a atividade de pesquisa e
exploração, e os representantes das
comunidades, visando à replicação
destas informações para os moradores
locais, conquistar melhor convivência e discussão
qualificada.
-
Elaborar, a partir dos registros do monitoramento
comunitário um relatório para ser
enviado ao IBAMA, aos Promotores Públicos,
as empresas e as entidades da sociedade civil da
região.
-
Organizar apresentações do relatório,
pelos próprios monitores, nas diversas comunidades
da região, contribuindo para um melhor entendimento
e uma discussão também mais qualificada.
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Relatório de Acompanhamento da empresa Grant
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Após o condicionamento das licenças
ao acompanhamento comunitário pelo IBAMA,
dia 17 de dezembro de 2003 foi realizada uma reunião
na qual representantes de 15 instituições
(colônias de Pesca Z-62 e Z-55, ASPEBA,
ASPAC, ADESF, APROPESCA, Federação
dos Pescadores da Bahia, AMABO, Conselho Municipal
de Meio Ambiente de Valença, IDES, OCT,
MAR, IDEIA, AMUBS e COOPEMAR) e da empresa Grant
Geophysical do Brasil, junto com o promotor Dr.
Marcelo Guedes, discutiram a forma do acompanhamento.
Após as considerações iniciais,
passou-se à fase de deliberação,
pela qual ficou acordado de forma unânime:
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Seriam formados grupos compostos de no máximo
03 representantes de comunidade para acompanhar,
de forma simultânea a atividade em operação;
-
Cada grupo acompanharia as atividades durante 10
(dez) dias, após o que, seria substituído
pelo próximo grupo formado, devendo os grupos
atuar de acordo com a sua área de localização;
-
Todos os componentes seriam treinados e deveriam
acompanhar a rotina da empresa, inclusive no que
concernem as normas de segurança, horários,
alimentação, alojamento, etc;
-
Os grupos poderiam monitorar a atividade no mar,
do grupo Gia da Universidade Federal do Paraná,
em praia, etc, de acordo com o que for agendado
durante o monitoramento;
-
A cada componente seria dada uma ajuda de custo
diária de R$ 50,00 (cinqüenta reais),
durante o período em que estivesse no exercício
efetivo de monitoramento, considerando que todos
os termos de compromisso e responsabilidade seriam
formalizados a fim de salvaguardar a empresa de
encargos trabalhistas, previdenciários, indenizatórios,
etc;
-
Os componentes teriam à sua disposição
os equipamentos necessários e solicitados
e um diário para relatório das atividades;
-
Após cada período de 10 dias, no
revezamento de equipe, os relatórios seriam
apresentados a uma instituição escolhida
para secretariar e dar publicidade ao monitoramento.
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Dia 05 de janeiro de 2004 a empresa Grant realizou
uma reunião de treinamento e segurança
com os primeiros participantes selecionados para o acompanhamento
e o monitoramento comunitário.
Observa-se que a seleção dos participantes
foi feita convocando as entidades sociais e as associações
para indicar participantes, buscando ampliar a representatividade
de forma abrangente e cumprindo o critério de
regionalidade.
No dia 06 de janeiro, o primeiro grupo de representantes
de comunidades se deslocou para o povoado Garapuá,
onde acompanhou os trabalhos da empresa Grant, seguindo
sucessivamente os grupos alternados, conforme o exposto
acima e a seguir, registra-se as observações
extraídas dos relatórios diários:
Um dos representantes, Carlos Alves dos Santos chegou
a reclamar da falta de equipamento para poder participar
efetivamente do monitoramento. Ele também foi
criticado por funcionários da empresa porque
não se mostrou interessado no monitoramento,
se afastando do trabalho.
Os monitores Manoel Brás de Oliveira Neto e
Matheus Luis Teixeira Oliveira se mostraram muito satisfeitos
pela oportunidade de ter participado do monitoramento
e elogiaram o tratamento que receberam dos funcionários
da Grant. Eles relataram que não presenciaram
qualquer fato anormal durante a atividade.
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Do segundo grupo, Jamilton Santos Palma, representante
da ADESF de São Francisco enfatiza
no seu relatório: "observei e examinei
as operações da empresa Grant entre
os dias 17 e 25/01/04, cheguei ao seguinte parecer:
parcialmente (sobre a superfície do mar)
durante as detonações não
houve danos à natureza, ficando impossível
de afirmar ou negar quaisquer alterações
no fundo do mar".
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Do terceiro grupo, Cristiane C. Loureiro Rocha e Antonio
Macedo Filho enviaram um relatório. Registra-se
aqui um problema entre a empresa Grant e o monitor comunitário
Antonio Macedo. Durante o período de monitoramento,
ele dormiu uma noite no navio Fermiza e ficou pescando.
No outro dia desembarcou com os peixes em Garapuá
para vendê-los. Neste momento, desenvolveu-se
uma discussão sobre o fato, que culminou com
a determinação de doar os peixes, considerando
que os monitores não podem pescar nas embarcações.
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No seu relatório Antonio Macedo, representante
do IDEIA de Valença ressalta:
"As detonações eram feitas
através de 08 canhões de ar comprimido,
arrastados pelo navio Tropicaliente. A pressão
de ar nos canhões era de 2000 a 2100 PSI,
em intervalos de tempo de 10 segundos e intervalos
de distância de 16 metros, com profundidade
acerca de 40 a 50 metros.
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Oito técnicos da GRANT realizam os trabalhos
de monitoramento da Biota, principalmente nas observações
de aparecimento de mamíferos marinhos. As embarcações
que estão pescando na área da pesquisa
são convidadas, por funcionários da Grant,
a retirarem-se do local, causando grande insatisfação
entre os pescadores na região.
Dia 29/jan., foi encontrada uma tartaruga marinha,
morta, próxima à praia de Morro de São
Paulo.
No campo de MANATI a Biodiversidade marinha é
grande, devido principalmente às grandes formações
de recifes de corais existentes na localidade. A utilização
de apenas três espécies de peixe, cujo
habitat e ecossistemas são diversos da área
em estudo, desconsiderando a diversidade da fauna, bem
como a inexistência de estudo da flora marinha,
demonstra que a metodologia do experimento, utilizada
pela GRANT, não contempla as reais necessidades
de dados acerca do empreendimento.
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Uma alternativa seria que o próprio navio
que arrasta os canhões de detonação,
adaptasse também, logo atrás, instrumento
que registra imagem do solo marinho em águas
rasas (SIDESCAN), utilizado em pesquisas oceanográficas
pelo Instituto de Oceanografia da USP- Universidade
de São Paulo.
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Outra metodologia que poderia ser considerada para
o monitoramento comunitário, seria através
do veículo submarino teleguiado, da PETROBRAS,
o mesmo que registrará as imagens de instalações
do gasoduto até a praia do Guaibim. Desta forma,
o monitoramento comunitário, participando in
loco dos acontecimentos registrados em imagens,
teria dados mais abrangentes e autênticos sobre
o assunto, sobretudo para divulgar junto às comunidades
envolvidas, que vive hoje, fortes sentimentos de insegurança
e expectativa em relação à exploração
de gás e petróleo no Baixo sul da Bahia.
Conveniente também seria o monitoramento ambiental
da área, durante e depois do período de
pesquisas e das atividades de exploração
dos recursos naturais dos blocos, visando o desenvolvimento
sustentável da área do empreendimento."
No seu relatório Cristiane C. Loureiro Rocha,
representante do CODEMA de Valença
ressalta: "No período de observação
dos trabalhos de sísmica entre os dias 26 de
janeiro e 04 de fevereiro na base de Garapuá,
constatei que a empresa trabalha com muita segurança
e preocupação com o meio ambiente e manutenção
de seus funcionários. Todas as manhãs
eram realizadas reuniões antes das atividades,
onde são discutidos esquemas de segurança
do trabalho, da organização, do funcionamento
e da programação do dia.
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A empresa tem uma equipe de monitoramento que
faz um levantamento diário de todas as
espécies marinhas da área onde estavam
ocorrendo os trabalhos de sísmica e em
todo o seu entorno. Esse estudo serve para observar
as espécies existentes naquela região,
prestando atenção se algo de anormal
está acontecendo com elas. Eles também
fazem esse trabalho no entorno das praias nas
proximidades da área e conversam com a
comunidade a procura de alguma anormalidade com
os animais marinhos.
Acompanhando um dos monitores, encontramos mais
ou menos 15 peixes pequenos mortos e uma tartaruga
morta de cerca 30 cm. Fomos conversar com pescadores
próximos ao local e eles disseram que era
comum aparecer aqueles peixes. Muitas vezes, quando
eles vão mariscar a rede, os peixes já
estão impróprios para o consumo
humano e então eles os jogam fora. E relação
à tartaruga elas também são
presa fácil para as redes dos pescadores.
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No período em que estive fiscalizando os trabalhos
realizados pela empresa Grant, tudo ocorreu normalmente
e nada de anormal aconteceu."
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Do quarto grupo, Luciano Machado Aguiar, representante
da APMB de Boipeba entregou um relatório
onde ressalta: "Durante o tempo que passei
no navio, pude ver que não há nenhum
tipo de poluição que prejudique
o ambiente. Observei e tirei fotos do lançamento
e do embarque dos canhões de ar. Vi que
não são utilizados produtos químicos
nos cabos. Para tirar cabos que ficam presos no
fundo do mar, são chamados mergulhadores
para não quebrar os corais e não
prejudicar os mesmos."
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Do quinto grupo, Antonio Passos e Rosivaldo
dos Santos, representantes da APMB de Boipeba
que entregaram um relatório onde ressaltam:
"18/02/04 saída no Tropicaliente.
O navio estava com problemas e não detonava.
As 11:50 apareceu um peixe morto, um ariocô de
cerca 700 g. Após tirar uma foto, um funcionário
da Grant o guardou num freezer do navio.
22/02/04 - na realização do monitoramento
das praias na Ilha de Boipeba, acompanhando um monitor
da empresa, encontramos dois peixes mortos na praia
da Ponta dos Castelhanos, Um pirambu de 57 cm, que os
urubus já tinham comido parcialmente e um peixe
gato de 49,5 cm, que estava inteiro, com a cor normal,
os olhos para fora da cabeça e as guerras na
parte de cima embranquecidas.
23/02/04 - Durante o dia, na saída no Tropicaliente,
apareceu um badejo de cerca 5 kg boiando morto. Um funcionário
num TZ pegou o badejo e o levou para Garapuá.
O peixe estava com os olhos normais e tinha duas manchas
vermelhas num lado."
Do sétimo grupo, a bióloga Jeanne Mota
e Marcos Gonçalves Passos registramos os seguintes
relatórios, considerando, primeiramente, o de
Jeanne Mota, representante do instituto Terraquá,
de Valença:
"Monitoramento da Biota: Realizado nas
embarcações Tropicaliente (onde ficam
os canhões de detonação) Bull Dog
(monitoramento dos cabos) e TZs ( onde são lançados
os cabos).
Esse monitoramento visa à observação
de animais aquáticos vivos ou mortos como peixes,
cetáceos e quelônios.
Durante o período de embarque foi recolhido
um exemplar morto de tartaruga verde (Quelônia mydas),
nas proximidades da embarcação Tropicaliente,
no dia 12 de março de 2004. A embarcação
Seresta foi avisada e fez a captura do animal onde foram
observadas marcas de rede de pesca.
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Próximo a todas as embarcações
visitadas, era comum a presença de peixes
voadores (Exocoetidae). Foi observada no dia 10
de março em volta do navio Tike Take (navio
de registro) a presença de dois exemplares
de rêmora.
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Monitoramento da Pesca: Realizado pela embarcação
Seresta, esta tem como objetivo explicar aos pescadores,
que estão atuando na área de pesquisa
sísmica, o trabalho que esta sendo realizado,
pedindo o seu afastamento em razão da operação
em curso. Ainda, assim como a Tropicaliente, esta embarcação
também monitora a biota.
No dia 07 de março o monitor ambiental da Grant
encontrou uma tartaruga verde morta (Quelônia mydas),
apresentando olhos saltados. Ao realizar a necropsia,
constatou-se morte, por trauma na região posterior
da cabeça, o qual explicaria os olhos saltados
e a grande quantidade de sangue na cavidade craniana.
No dia 13 de março a mesma embarcação
encontrou outra tartaruga morta e dessa vez apresentando
marcas de rede.
Dia 14 de março a representante do Instituto
Terraguá participou, como expectadora, da abordagem
aos barcos de pesca. Nesse dia, o objetivo principal
da embarcação, era observar as atividades
pesqueiras da região e intensificar o monitoramento
da costa, já que a comunidade de Moreré,
estava extremamente preocupada com o número de
tartarugas mortas na região.
Observa-se que, muitos pescadores, na região,
utilizam a rede de espera como arte da pesca, sendo
observada a presença desse apetrecho em locais
de pedras e corais.
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Monitoramento da Costa: O monitoramento
é realizado de duas formas; uma a pé
e outra pela embarcação Agnus Deus.
O percurso a pé é realizado nas
praias de Ponta dos Castelhanos, Bainema, Moreré,
Coeira, Tassimirim e Boipeba. Esse trajeto foi
escolhido, segundo informações dos
monitores, em função da área
de atividade da pesquisa sísmica e corrente.
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No dia 07 de março presenciou-se a coleta de
uma tartaruga verde (Quelônia mydas), morta na praia
de Bainema e apresentando os mesmos sinais da tartaruga
coletada pela embarcação Seresta no mesmo
dia.
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No dia 11 de março mais três tartarugas
foram encontradas na praia de Moreré, pelos
monitores ambientais da Grant. Os exemplares já
se encontravam em decomposição.
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Resíduos Sólidos: A preocupação
com a disposição dos resíduos sólidos
é notada em todas as embarcações.
Estes cuidados são observados, não só
nos profissionais com maior nível de instrução,
mas por toda a tripulação. Todo o resíduo
produzido é levado para a terra, incluindo o
óleo utilizado nos motores das embarcações.
Considerações e Recomendações:
Faz necessária uma investigação
criteriosa para que se possa determinar a razão
da mortandade de tartarugas na região, observando
tanto as atividades de sísmicas assim como as
atividades de pesca, a exemplo de tartarugas encontradas
mortas e apresentando marcas de rede.
Toda embarcação deve ter um puçá,
a fim de facilitar a captura de animais mortos próximo
às embarcações.
É necessário um maior preparo da equipe
das embarcações na abordagem dos pescadores,
já que esses estão inseguros com a nova
atividade de sísmica e pesquisa para a exploração
do gás e petróleo, que vem se instalando
na região."
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No seu relatório Marcos Gonçalves
Passos, representante da Amabo de Boipeba
ressalta: "05/03/04 - no caminho para Garapuá,
as 05:30 hs, encontrei uma tartaruga morta na
Praia Pratigi. 12/03/04 - saí no barco
dos mergulhadores, que soltam os cabos presos
nos corais. A distância entre os mergulhadores
e o navio Tropicaliente com os air-guns é
cerca de um quilometro. Segundo eles, mesmo nessa
distância, eles ouvem as detonações
e também encontram peixes como budião,
cioba, badejo, vermelho e outros."
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Do Grupo 08, Rozemilto Guimarães Wense, representante
da Federação dos Pescadores ressalta
no seu relatório: "Durante o período
de dez dias, nada vi o que agravasse o meio ambiente.
Por parte dos pesquisadores, existe a preocupação
com o equilíbrio da natureza. Todo lixo é
reciclado, nada é jogado no mar e há controle
contra vazamentos de óleo.
Contudo devemos observar que a maior preocupação
da comunidade e dos pescadores é na extração
do produto encontrado."
Do nono grupo, Edson Expedido do Rosário
dos Santos, representante da Amabo de Boipeba entregou
um relatório onde ressalta: "Foi uma grande
satisfação der ter participado dessa equipe
de monitoramento. O que eu percebi ao longo dos dez
dias de acompanhamento, é que os funcionários
da empresa Grant estão muito preocupados com
a preservação do meio ambiente. O lixo
é recolhido separado em lixo orgânico e
inorgânico, além de garrafas e plásticos
e levado até Valença.
Durante o monitoramento das praias, no dia 26.03.04,
as 11:15, encontrei uma moréia morta de cerca
60 cm. Já no dia 04.04.04 pela manhã,
achei na Praia do Pontal um bagre morto de cerca 20
cm. Acompanhando a sísmica no mar, dia 31.03.04
as 5:40 da manhã, vi baleias, acompanhadas de
golfinhos. Na Barra de São Sebastião,
foi achada uma tartaruga morta pela embarcação
Neto Real."
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Acompanhamento do estudo do grupo Gia da Universidade
Federal do Paraná
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"Dia 12.02.04 às 8:30 hs, chegada
em Garapuá, no barco Eremita. As 11:30
encontrei os representantes da empresa Grant e
saímos de lancha rápida para a área
de estudo, cerca 4 km distante da praia com profundidade
de cerca 10 metros. Lá, já estavam
os monitores Jamilton Santos Palma e Antonio Macedo,
acompanhando o trabalho. Na área estavam
espalhadas várias gaiolas a serem utilizadas
no estudo com peixes".
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Uma das gaiolas estava equipada com duas câmaras
para poder acompanhar ao vivo o comportamento
dos peixes.
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Dois barcos tinham um tanque de água,
onde estavam os peixes capturados para o experimento
algumas horas antes. Para manter os peixes vivos,
se trocava constante a água e usava aeradores.
Mesmo assim alguns peixes não resistiram
e morreram.
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Funcionários da Grant e biólogos
do grupo Gia levavam os peixes para cada gaiola
afundada no mar. Para isso, levantaram a gaiola,
colocaram os peixes dentro, fecharam e desceram
a de novo. Assim seguiram até acomodar
dez peixes em cada gaiola. Finalizado o trabalho,
retomamos para Garapuá.
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À noite, participamos de uma reunião
da Associação de Moradores de Garapuá
com representantes da Grant e do grupo Gia, que explicaram
como estavam realizando os estudos. Sr. Valter, chefe
da equipe do Gia explicou que estavam preparando três
testes. No primeiro estavam utilizando peixes em gaiolas
para detonar perto destas e filmar o comportamento.
No segundo, eles iam dissecar peixes das gaiolas para
examinar alguns órgãos. No terceiro, o
grupo ia coletar plâncton na área das detonações
e numa área longe para analisar as duas amostras.
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No dia 13, após o café da manhã,
Jamilton Santos Palma e Ronan Caíres Brito
embarcaram no barco que levava a equipe do Gia
para fazer uma revisão das gaiolas.
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As 9:00 embarcam no barco Eremita, Francisco
Sales e Douglas Araújo da empresa Grant,
Joselito Carneiro e mais duas pessoas do IBAMA,
Sr. Íon da empresa EL Paso e os monitores
Luiz Paixão, José Benedito, Antonio
Macedo, Luciano Machado, Achim Ruder e Gildemar
Monteiro, em direção a área
de estudo.
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Na hora do embarque, um funcionário da
Grant chegou com um peixe (pirambu de cerca 1
kg) encontrado morto no mar.
Na área, Achim Ruder embarca no navio
Tropicaliente para acompanhar as detonações.
O navio é equipado com compressores que
geram a pressão para o sistema de air-guns.
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O ar comprimido passa por mangueiras até
os 8 canhões, que disparam numa seqüência
rápida, quatro em cada lado. Os canhões
são arrastados atrás do navio com
bóias que equilibram os canhões
em cerca 5 m de profundidade.
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Durante a revisão, a equipe de mergulhadores
do Gia encontrou alguns peixes mortos nas gaiolas. Desenvolve-se
um dialogo se tira ou não os peixes mortos das
gaiolas. A equipe do Gia decide não tirar os
peixes mortos e resolver o problema de forma estatística.
Só por insistência do monitor Jamilton
Palma que criticou essa atitude, os mergulhadores resolvem
de trocar os peixes.
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Finalizada essa tarefa, o navio Tropicaliente
lançou os canhões e começou
a detonar os air-guns, passando cerca 50 metros
da primeira fileira de gaiolas, repetindo a passagem
três vezes. As detonações
são registradas num computador no próprio
navio. Os monitores Jamilton Palma e Antonio Macedo
tinham observado durante o acompanhamento do trabalho,
que a empresa usava a pressão de 2000 psi.
Perguntando onde o computador registrava essa
pressão o funcionário explicou que
o sistema estava com defeito e não mostrava
a pressão.
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Apenas, perto do compressor tinha um relógio
que registrava a pressão, que chegou ao
máximo de 1.900 psi.
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Após das detonações, pessoas do
Gia recolheram o plâncton e levaram o para Garapuá
para súbita analise. O monitor Jamilton Palma
os acompanhou e participou dos testes iniciais. O restante
do grupo seguiu com o navio Tropicaliente e os barcos
de apoio para o ponto, onde estava instalada a gaiola
com as câmaras.
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Um barco com um TV e vídeo ancorava junto
da gaiola para observar e gravar as cenas. O navio
Tropicaliente disparou os canhões numa
linha de cerca 50 m de distância da gaiola
com as câmaras. Quem estava acompanhando
a filmagem, descrevia que antes das detonações
os peixes estavam nadando alinhados na correnteza.
No momento das detonações eles se
assustaram, fazendo um movimento de fuga para
em seguida voltar nadar na mesma posição.
Não se viu algum peixe morrendo ou visivelmente
ferido. Em seguida, um dos mergulhadores cortou
a rede da gaiola soltando os peixes. Após
um momento de espera, os peixes saíram
da gaiola e se refugiaram nos recifes.
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Depois as detonações, o grupo dos
mergulhadores tirou peixes de cada gaiola e levando-os
para Garapuá onde os biólogos retiraram
alguns órgãos para futura analise
em laboratório.
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Em Garapuá, a equipe do Gia verificou a quantidade
de larvas (plâncton) que conseguiram deslocar-se
da parte inferior de um cilindro escuro para a parte
superior, onde havia luz de uma lâmpada. Usavam
vários cilindros, onde testavam as diferentes
amostras, coletadas perto da praia (controle) e na área
das detonações. Dessa forma, os biólogos
poderão dizer, quantas larvas subiram para a
parte superior, o que significa que estavam vivos e
conseguiram nadar, e quantas larvas ficaram na parte
inferior, o que quer dizer que as larvas estavam mortas
ou adejadas sem conseguir se mover.
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No próximo dia, os peixes das gaiolas
foram recolhidos e acondicionados em tanques rede
em frente à Garapuá, onde ficaram
para serem analisados depois de 15 e 30 dias,
com o objetivo de verificar se as detonações
causaram danos crônicos."
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Observa-se que, os monitores Luciano Machado
e Gildemar Monteiro acompanharam todo o processo
acima e depois relataram que tudo ocorria normal.
Ao longo dos testes, alguns monitores criticaram a
falta de outras espécies, além de peixes.
Essa crítica incentivou o gerente regional do
IBAMA, Joselito Carneiro em solicitar outros testes
que incluísse também camarões.
E estes foram realizados em Garapuá, no dia 14.03.04
e acompanhados pelos monitores Jeanne Mota, Marcos Gonçalves
e João Veloso Viana.
Em seu relatório Marcos Gonçalves
escreve sobre os testes:
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"14/03/04 monitoramento dos testes
realizados em frente de Garapuá. São
testes com peixes e camarões vivos, que
foram capturados por pescadores locais e levados
em um tanque até o local do teste, onde
os animais foram colocados numa gaiola que estava
amarrada embaixo dos canhões.
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Os air-guns estavam amarrados num cabo, estendido
entre uma lancha rápida e o navio Tropicaliente.
Dessa forma se garantiu uma posição
exata acima da gaiola numa distância de
4 metros. Na gaiola estava instalada uma câmara
que permitiu ver os peixes e camarões na
gaiola. A correnteza estava forte e os peixes
se alinharam nadando na correnteza. No momento
das detonações eles se assustaram,
fazendo um movimento de fuga para logo depois
nadar na mesma posição que antes.
Não se viu algum peixe morrendo.
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Depois da detonação, um biólogo
mergulhou com uma câmara para filmar a gaiola,
mas infelizmente a câmara não funcionou.
Depois, ele pegou uma faca e rasgou a rede da gaiola
para soltar os animais. Por surpresa, nenhum animal
saiu e foi preciso sacudir a gaiola até eles
saíram.
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Durante o teste o tempo estava piorando e naquele
momento chovia forte. O mergulhador na água
foi arrastado pela correnteza e foi necessário
jogar uma corda para resgatar-lo. Sugestão:
Um trabalho como este, sempre deverá ter
dois mergulhadores para ter maior segurança.
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Pela tarde, acompanhei os biólogos que
retiravam alguns órgãos dos peixes,
como guerra, fígado, músculos e
outros."
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Do décimo grupo, Arivaldo Bonfim Brito,
morador de São Sebastião, comenta: "Na
comunidade ajudaram bastante, dando trabalho e fazendo
limpeza."
Os estudos sísmicos da empresa Grant terminaram
no dia 15 de maio de 2004. Dos últimos dois turnos,
Alex Ribeiro Pereira e Almiro Brito de Almeida,
também moradores de São Sebastião,
fizeram um relato similar, dizendo que foram bem atendidos
e acharam que não teve prejuízo para os
pescadores.
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Avaliação, críticas e sugestões
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O monitoramento e acompanhamento comunitário
mac se desenvolveu a partir da vontade da população
local em participar do processo de exploração
de petróleo e gás na região do
Baixo Sul da Bahia. É um modelo inédito
de acompanhamento, criado com participação
de representantes da região, do IBAMA, do Ministério
Público e da empresa Grant. Não existe
semelhante ação para poder fazer comparações.
Pontos positivos
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Nenhuma ocorrência de um grande acidente
que prejudicasse o meio ambiente ou a população
local.
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O acompanhamento foi marcado pela boa relação
entre os representantes e funcionários da
empresa Grant e os monitores comunitários.
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Os monitores estiveram acessos a todas as embarcações
e acompanharam a equipe da empresa Grant diariamente.
-
Todos os monitores avaliaram o trabalho e a postura
da empresa Grant como muito responsável e
tendo muito cuidado com o meio ambiente, seus funcionários
e os monitores.
-
O monitoramento comunitário facilitou a
convivência entre as comunidades locais e
a empresa Grant, que ganhou uma imagem positiva.
-
Na convivência diária, os monitores
comunitários aderiram costumes de separação
de lixo e uma visão melhor da necessidade
de proteger o meio ambiente.
-
As informações e experiências
adquiridas são muito importantes para uma
discussão qualificada sobre a exploração
de petróleo e gás na região.
Impactos agudos
-
Ao longo do acompanhamento, foram encontrados mortos,
diversos peixes, tartarugas marinhas e um golfinho.
Por não existir dados anteriores, não
há como comparar e avaliar o real impacto
da sísmica.
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Nos testes realizados em Garapuá, constatou-se
que nenhum peixe morreu ou ficou visivelmente ferido.
-
Durante o acompanhamento diário, nenhum
monitor comunitário percebeu algum impacto
forte sobre os peixes.
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Na filmagem em Garapuá viu-se e por relatos
de mergulhadores sabe-se, que os peixes se assustam
com a onda de choque.
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Diversos monitores relataram sobre o espanto dos
mergulhadores que estavam mergulhados, quando os
air-guns foram disparados em distâncias de
mais de 1000 metros.
Impactos crônicos
-
Ao longo do estudo sísmico, os air-guns
foram disparados milhares de vezes e, durante meses,
a atividade interferiu no ecossistema costeiro,
muito importante para a reprodução
de biomassa marinha.
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O monitoramento da biota e do embarque pesqueiro
ficaram limitados ao período da realização
do estudo sísmico. Os períodos anteriores
e posteriores não foram contemplados. Assim,
faltam dados para avaliar o impacto crônico
da sísmica, principalmente no que se refere
à reprodução de peixes, camarões
e outros mariscos.
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Relatório de Acompanhamento da empresa PGS
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Antecedentes:
Como já registramos no inicio deste relatório,
no dia 25 de novembro de 2004 foi instalado o
Conselho de Acompanhamento do Termo de Compromisso,
celebrado no dia 29 de janeiro de 2003, entre
o Ministério Público estadual e
federal e a empresa El Paso, com a participação
do CRA, do IBAMA, da Agência Nacional do
Petróleo - ANP e da AMUBS.
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O Conselho, formado por 34 entidades governamentais
e não governamentais, tem como objetivo zelar
pelo cumprimento dos Termos de Compromisso através
dos projetos sócio-ambientais, inclusive os de
compensação pelos impactos gerados, e
pelas ações previstas durante a fase de
produção do gás e do petróleo
no Baixo Sul da Bahia.
O Conselho é resultado de um processo de discussão
democrática durante audiências públicas
que trataram da implementação da atividade
petrolífera e da mortandade de peixes, ao longo
dos anos 2002 e 2003. As entidades representadas no
conselho são aquelas que mais participaram no
processo. São também, entidades com grande
representatividade, como colônias e associações
de pescadores e associações de moradores,
além de Ongs da região.
Depois que o IBAMA condicionou a licença ao
acompanhamento comunitário, a Secretaria do Conselho
mandou em fevereiro de 2004 uma carta para a empresa
PGS, solicitando um contato para organizar o acompanhamento
das atividades de prospecção sísmica
da PGS. Não obtivemos resposta da mesma.
No dia 14 de abril de 2004, a Secretaria, mandou uma
nova carta para a PGS, solicitando uma reunião
no Ministério Público, tratando do acompanhamento
comunitário. Novamente a carta ficou sem resposta.
Após, insistências e contando com o apoio
do Ministério Público a PGS atendeu à
solicitação de reunião, que se
realizou dia 22 de abril, entre representantes do Conselho
de Acompanhamento dos Termos de Compromisso (CAT) da
PGS, do IBAMA e do Ministério Público
com o objetivo de promover a comunicação
e a interação entre a empresa e o CAT
e definir como realizar o acompanhamento comunitário.
Iniciando a reunião, Dr. Marcelo Guedes, promotor
de Valença, esclarece: (I) apesar da suspeita,
da comunidade do Baixo Sul, de que a mortalidade ocorrida
em 2003 tenha sido causada pela sísmica, não
foram encontrados indícios técnicos comprobatórios,
e (II) apesar de o CAT ser legalmente ligado apenas
ao Termo de Compromisso assinado com a El Paso, o fórum
de discussão que se criou, com a constância
de suas reuniões, vem adquirindo bastante legitimidade
para discutir outras ações relativas à
indústria petrolífera.
Joselito Carneiro, chefe do escritório regional
do IBAMA, expressou que reconhece o fórum como
legítimo e legal.
Rogério Ribeiro, representante da PGS, solicita
informações sobre o papel e a representatividade
do Conselho.
Membros do CAT relataram sobre o histórico do
monitoramento comunitário e explicaram a partir
do exemplo da empresa Grant, como o monitoramento desenvolvido
pela comissão do CAT, traz resultados positivos
tanto para a empresa quanto para a comunidade.
Rogério Ribeiro informou que as atividades de
prospecção sísmica da PGS não
podem ser acompanhadas de perto, devido à extensão
do equipamento utilizado, negando um acompanhamento
comunitário de forma como os membros do CAT sugeriram.
Informou ainda, que dia 15 de abril o ELPN/IBAMA realizou
uma vistoria técnica e acompanhou as atividades
desenvolvidas pela PGS e, após análise,
foi considerado satisfatório.
Como a prospecção sísmica já
ia terminar dia 25 de abril e não tendo um entendimento
comum entre as partes, a reunião passou tratar
do acompanhamento das pesquisas da PGS/Everest entre
os dias 24 e 26 de abril, em Barra Grande, município
de Maraú.
Após certo tempo de discussão sobre as
diferenças de entendimentos sobre uma participação
comunitária, levando em conta a dificuldade que
a PGS/Everest impôs, alguns conselheiros acharam
que dessa forma não valia mais a pena em acompanhar
as pesquisas.
Dr. Marcelo Guedes fez uma proposta intermediária,
sinalizando que a PGS/Everest deve dialogar e remeter
sua ação para o âmbito do Conselho,
para onde são canalizadas as discussões
sobre as atividades de exploração de gás
e petróleo da região.
Rogério Ribeiro, enfim, concorda e aceita a
indicação de 03 pessoas para participar
do experimento da Barra Grande e os critérios
de escolha do Conselho apontaram para a indicação
de Jamilton Palma (ADESF), Antônio Macedo (NDA
de Taperoá) e Achim Ruder (AMABO), considerando
que caberá ao último a coordenação
do grupo.
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Acompanhamento dos estudos científicos, realizados
por equipes da Universidade Federal do Paraná
(Geia), Universidade Federal do Espírito
Santo e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
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"Dia 24 de abril, as 11:30, encontram-se
os três monitores comunitários Jamilton
Palma, Antonio Macedo e Achim Ruder em Camamu.
Seguimos com a lancha Cristina III até
Barra Grande, onde fomos recebidos por representantes
da empresa Everest e hospedados na Pousada Meu
Sossego.
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Pela tarde, conhecemos alguns integrantes dos grupos
de estudos e encontramos Sr. Julio Ruano da Everest,
que explicou o planejamento do experimento com zooplancton
pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Um grupo de biólogos ia acompanhar o navio Ramform
Viking numa rota entre Velha Boipeba e Morro de São
Paulo e coletar o plâncton com redes especiais.
Iam capturar o plâncton antes, durante e depois
das detonações dos canhões de ar,
para depois fazer uma analise qualitativa e quantitativa.
Não fomos convidados para acompanhar este experimento,
e sendo assim, não podemos fazer relato do mesmo.
Pelo nosso conhecimento, também não teve
participação de um representante do IBAMA.
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No dia 25 de abril, Jamilton Palma, embarcou
com o grupo de mergulhadores e biólogos
do grupo Geia, para capturar peixes a serem usados
nos experimentos. A pesca foi feita através
de manzuar e os peixes capturados foram cirurgião,
budião e cioba.
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Os peixes foram colocados em caixas de isopor
e assim levados para a área de estudo.
Observamos, que não foram usados aeradores
para fornecer oxigênio para os animais e
por isso, vários peixes sofreram com o
transporte e morreram.
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Antonio Macedo e Achim Ruder acompanharam a equipe
de Dra. Sheila Simão que realizava experimentos
de decaimento sonoro. Para isso, Dra. Sheila usava
dois hidrofones que lançava na água,
um amplificador especifico e um gravador digital.
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Assim, capturava os sons debaixo dágua,
controlava com o amplificador a intensidade do
sinal e gravava o resultado para depois, extrair
dados sobre a potência das ondas sonoras
emitidas pelos air-guns.
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Pela manhã, a equipe gravava o som ambiente
na água em frente ao farol de Taipús
de Fora, numa distância de cerca 2000 metros
da praia. Essa gravação ia permitir
uma calibragem de todas as gravações
em relação ao som ambiente natural.
O que se ouvia, era um ruído constante
e de vez em quando um toque, quando um peixe encostava-se
no microfone.
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Pela tarde, Antonio Macedo e Achim Ruder acompanharam
uma da equipe de mergulhadores, que trabalharam na montagem
do experimento com peixes vivos. Após uma passagem
em Camamu, onde apanharam 20 cilindros para mergulho,
seguiram para a área de estudo, em frente às
praias de Barra Grande, numa distância de cerca
8 km e com uma profundidade dágua entre
16 e 20 metros.
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Lá, encontramos os outros mergulhadores
e Jamilton Palma, que os acompanhava desde cedo.
O trabalho deles era colocar 11 peixes em cada
um das sete gaiolas. É um trabalho demorado,
por causa da profundidade. Cada mergulhador mergulhava
cerca 40 minutos para depois repousar de 3 a 4
horas para poder mergulhar novamente por 30 a
40 minutos.
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A figura ao lado, mostra quatro gaiolas, em frente
a um recife natural e um ponto de filmagem gravando
cenas do próprio recife e de peixes livres.
Em cada das duas gaiolas próximas do recife,
também estava instalada uma câmara,
filmando o interior da gaiola com os peixes presos.
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Sr. Flávio coordenava o trabalho de instalação
das câmaras que estavam ligadas a cabos
que iam ser conectados a um sistema de gravação
com um computador e uma tela para mostra as imagens.
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Além das quatro gaiolas perto do recife, tinha
mais duas, numa distância de 500 metros e outra
cerca de 4 km distante do local dos experimentos. Os
peixes nesta ultima gaiola, serviram de grupo de referência,
que receberam o impacto da captura e do transporte igual
aos outros, mas não iam sentir o impacto das
detonações dos air-guns.
O trabalho demorava até o final da tarde e por
falta de aeradores, todos os peixes sofreram muito com
o transporte e alguns morreram.
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No dia 26 de abril, um grupo de mergulhadores,
acompanhado por Antonio Macedo, embarcou para
revisar os equipamentos e as gaiolas e substituir
os peixes que morreram.
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Jamilton Palma, partiu com outro grupo para capturar
mais peixes. Ao meio dia, esse grupo retornou
a Pousada Estrela do Mar, que servia de ponto
de apoio para a empresa Everest, e trouxeram dois
isopores com peixes das mesmas espécies
que foram colocados nas gaiolas.
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Os peixes serviam de cobaias para os biólogos
Renata e Pedro, que os dissecaram, localizando
os órgãos e buscando entender, como
tirar melhor, partes do cérebro, do fígado,
das brânquias, do órgão auditório
e do sangue.
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A dissecação dos peixes se revelou bastante
complicado por causa do tamanho dos peixes e pelo fato
de que os biólogos não conheciam as espécies.
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À tarde, a equipe de Dra. Sheila, Sr.
Cristiano do IBAMA e Achim Ruder embarcaram na
lancha Cristina III rumo à área
de estudos. Lá, encontrava o navio de apoio
Sanco Sea e o navio Ramform
Viking, que carrega os canhões de
ar e os cabos para captar as ondas sonoras.
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Na foto ao lado, se vê o fundo do navio
Ramform Viking. Na altura da linha dágua,
o navio tem um convés com os canhões
de ar, que são arrastados em cabos em duas
fileiras de quatro canhões. No convés
acima, tem 12 rolos de cabos sismográficos
com comprimento de vários quilômetros.
Os cabos são lançados por cima dos
air-guns e arrastadas atrás destes.
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Os navios estavam retornando da área entre Boipeba
e Morro, onde tinham realizados os testes com o plâncton.
Encontramos Sr. Julio Ruano da Everest, com o grupo
da Universidade Federal do Espírito Santo, que
desembarcavam do navio Ramform Viking para seguir com
a lancha Cristina III para Barra Grande.
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Nosso grupo embarcava no navio Sanco Sea, onde
um funcionário nos explicava como agir
no navio, em caso de emergência.
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A equipe que revisava as gaiolas, concluía
seu trabalho e retornava para Barra Grande. Eles
tinham encontrado alguns peixes mortos nas gaiolas,
que substituíram por peixes novos, capturados
naquele dia.
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No navio Sanco Sea, o grupo de Dra. Sheila preparava
os equipamentos para fazer experimentos de decaimento
sonoro. Dessa vez, usava os dois hidrofones, o
amplificador e o gravador digital e um osciloscópio
que mostrava na sua tela a amplitude das ondas
sonoras, captadas pelos hidrofones.
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Os testes começaram por volta de 20:00
horas, numa área distante das gaiolas.
O esquema do experimento previa a passagem do
navio Ramform Viking em linha retangular com o
navio Sanco Sea, detonando os air-guns. Na primeira
passagem, a distância entre a linha de navegação
do navio Viking e o ponto do navio Sanco Sea era
de 100 metros.
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Os aparelhos captavam os sons e Dra. Sheila controlava
a intensidade do sinal no amplificador. No osciloscópio
se via a amplitude das ondas sonoras, captadas
pelos hidrofones, que o gravador registrava. O
procedimento de medição se repetiu
com distâncias de 250, 500 e 1.200 metros.
Além, em cada ponto se media a salinidade,
temperatura, correnteza e outros dados do mar.
No navio também estava instalado um transponder,
um aparelho que media e registrava a distância
entre os dois navios em cada momento do teste.
Isso era necessário para depois poder calcular
a potência das ondas sonoras em distância
exata dos air-guns.
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Até a distância de 500 metros, se sentia
o impacto das detonações no navio Sanco
Sea. Dra. Sheila explicou que as ondas sonoras se espalham
melhor na água fria e com muita salinidade do
que em água quente e com pouca salinidade. As
ondas sonoras também se espalham melhor para
o fundo do mar do que na superfície, onde são
quebrados pelas ondas do mar.
Os experimentos terminaram as 03:00 da madrugada.
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Na manhã do dia 27, o dia de realização
dos testes sísmicos na área das
gaiolas, o grupo desembarcou do navio Sanco Sea.
Dra. Sheila, Sergio e Achim Ruder embarcaram no
Barco Legau e Cristiano do IBAMA embarcou
na lancha Cristina I onde encontrava Dra. Edith
com uma parte da sua equipe e Antonio Macedo.
Rogério Ribeiro embarcou no navio Viking,
de onde ele coordenava as diversas atividades.
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Na lancha Cristina I, Sr. Flávio já
tinha conectado os cabos das câmaras no
computador. Na tela mostrava as imagens do recife
e das gaiolas. A visibilidade no recife estava
boa, quando não se via muito bem os peixes
nas gaiolas. Sr. Flávio comentou que ele
ficou surpreso com a diversidade e quantidade
da fauna e flora marinha dessa região e
comparou os com a fauna e a flora encontradas
em Abrolhos.
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No barco Legau, Dra. Sheila e Sergio do grupo
da Universidade Federal Rural do Rio, instalaram
seu equipamento, novamente com o transponder,
para medir a distância entre o barco e o
navio Viking. Os hidrofones ficaram numa distância
de 30 metros das gaiolas com as câmaras.
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Na lancha Cristina III, os biólogos Renata
e Pedro do grupo Geia, já estavam preparados
para dissecar os primeiros peixes. Jamilton Palma
acompanhava este grupo. A metodologia do experimento
previa a retirada de dois peixes em cada gaiola,
antes da detonação dos canhões
de ar.
Por causa da má visibilidade no mar, os
mergulhadores demoravam além do tempo previsto
para tirar os peixes. A rede de uma gaiola estava
rasgada por algum peixe na tentativa de comer
um dos peixes mortos dentro da gaiola. O tempo
de mergulho dos cinco mergulhadores se esgotava,
ficando evidente que a empresa tinha contratado
menos mergulhadores do que necessitava.
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Por volta de meio dia, os mergulhadores tinham tirado
dois peixes de cada gaiola e o navio Viking se preparava
para detonar os air-guns numa linha, cerca 80 metros
distantes das gaiolas.
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Na lancha Cristina I, a equipe de filmagem se
preparava sob orientação de Dra.
Edith do grupo Geia e a lancha Cristina III, com
os biólogos dissecando os peixes, se deslocava
para o local da gaiola de referência, a
4 km de distância.
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No barco Legau, Dra. Sheila e Sérgio estavam
com os equipamentos ligados, quando o navio Viking
se aproximava, arrastando e detonando os canhões
de ar.
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O impacto das detonações no barco
era menor do que se sentia no navio. Ficamos em
dúvida sobre a calibragem dos air-guns,
mas Dra. Sheila explicou que as ondas sonoras
se quebram na superfície do mar e que o
casco menor do barco capta também menos
as ondas.
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As pessoas que acompanharam a filmagem na lancha
Cristina I, descreveram que os peixes no momento
das detonações se assustaram, fazendo
um movimento de fuga para logo depois retornar
na mesma posição. A câmara
do recife mostrava duas vezes um pequeno cardume
de peixes em fuga. Depois da detonação,
a câmara do recife mostrava mais peixes
do que antes. Ficou evidente, que os air-guns,
utilizados da maneira correta, não ferem
os peixes visivelmente, nem os matam.
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Depois os mergulhadores voltaram para a área
do experimento, tirando mais dois peixes de cada
gaiola e os biólogos do grupo Geia continuaram
retirando os órgãos para futura
analise em laboratório.
O barco Legau e o navio Viking se afastaram para
uma área a cerca 3 km de distância,
onde foi realizada a última medição
sonora a uma distância de 2000 metros da
fonte sísmica.
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No final da tarde, as equipes retornaram cansados para
Barra Grande. Os mergulhadores estavam exaustos e até
respiravam oxigênio puro, porque tinham passado
o tempo regular de mergulho. Os biólogos que
dissecaram os peixes, também estavam exaustos
do trabalho minucioso realizado no balanço da
lancha no mar.
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No último dia do experimento, apenas a
equipe do Geia saiu para a área de estudo
para recolher o restante dos peixes e dissecar
os. A equipe Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro e os três monitores Jamilton
Palma, Antônio Macedo e Achim Ruder saíram
de Barra Grande pela manhã.
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Avaliação, críticas e sugestões
O acompanhamento comunitário da empresa PGS trouxe
a segunda experiência de monitoramento para a
comunidade da região. Ao contrário da
empresa Grant, a PGS se mostrou sem vontade de colaboração,
desprezando o esforço e a preocupação
da população em participar construtivamente
no processo da exploração de petróleo
e gás.
Ao contrário da empresa Grant, a PGS não
deixou os monitores acompanharem o trabalho diário.
Os monitores não tiveram acesso às embarcações
e não acompanharam a equipe da empresa.
Muitos moradores e pescadores avaliaram a postura das
empresas PGS e Everest como "arrogante e pouco
preocupadas com a comunidade local e o meio ambiente"(sic).
Essa postura ficou evidenciada em dois acontecimentos:
-
Dia 26 de abril, à noite, no navio Sanco
Sea, onde o grupo da Universidade Federal Rural
do Rio de Janeiro preparava os equipamentos para
medir o decaimento sonoro, Dra. Sheila Simão
se dirigiu para o capitão do navio e pediu
informações sobre o procedimento dos
testes. O capitão se mostrou impaciente e
respondeu com ignorância para Dra. Sheila
Simão, dizendo que o maquinista do navio
tinha trabalhado o dia inteiro e precisava de descanso,
sendo assim, os experimentos só seriam realizados
pela equipe da Dra, se este quisesse. Os presentes
viram os trabalhos da Dra. Simão desprezado
e ridicularizado. Vale a pena lembrar, que as embarcações
Sanco Sea e Ramform Viking trabalham dia e noite
e que os testes estavam devidamente planejados.
-
No dia 27 de abril, às 11:30 hs, pouco antes
de realizar os testes, mergulhadores estavam tirando
peixes das gaiolas e os biólogos do grupo
Geia, já estavam preparados para dissecar
os primeiros peixes. Por causa da má visibilidade
no mar, demoravam além do tempo previsto
para tirar os peixes. O Sr. Rogério Ribeiro
que coordenava as atividades no navio Viking, chamou,
via rádio, a equipe dos mergulhadores e perguntou
quanto tempo ia levar para finalizar a primeira
retirada de peixes. Os mergulhadores explicaram
as dificuldades e que o trabalho ia demorar mais
meia hora. Em resposta, o Sr. Rogério Ribeiro
disse que ia esperar exatamente trinta minutos para
começar detonar os air-guns e que os biólogos
"já podiam se preparar para dissecar
os mergulhadores, caso estes não conseguissem
sair da água em tempo, porque ele ia detonar
de qualquer jeito". Observa-se que todos os
envolvidos na operação ouviram a frase
via rádio. Os mergulhadores se sentiram desprezados,
nivelados a cobaias e os demais ficaram chocados
com a falta de liderança de Rogério
Ribeiro, pois deu a entender que ele pouco se importava
com a segurança dos profissionais contratados.
Impactos agudos
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Nos testes realizados pela PGS, constatou-se que
nenhum peixe morreu ou ficou visivelmente ferido.
-
Na filmagem em Barra Grande viu-se novamente que
os peixes se assustam com a onda de choque.
Impactos crônicos
-
Ao longo do estudo sísmico da empresa PGS,
os air-guns foram disparados milhares de vezes e
durante um mês a atividade interferiu no ecossistema
costeiro, muito importante para a reprodução
de biomassa marinha.
-
Os monitoramentos da biota e do embarque pesqueiro
ficaram limitados ao período da realização
do estudo sísmico. Os períodos antes
e depois não foram contemplados. Assim, faltam
dados para avaliar o impacto crônico da sísmica,
principalmente no que se refere à reprodução
de peixes, camarões e outros mariscos.
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Conclusões
O monitoramento comunitário é uma experiência
nova e muito importante para a população
da área impactada. O acompanhamento e o monitoramento
comunitário alcançaram seus objetivos
e realizou o desejo da comunidade de participar ativamente
no processo de exploração de petróleo
e gás no Baixo Sul da Bahia. Um processo que
está interferindo no cotidiano dos moradores
da região e mudando as expectativas sobre o futuro
da região.
O conjunto dos impactos da exploração
de petróleo e gás contribuiu para sensibilizar
a população sobre a atividade petrolífera
e cria a necessidade de contemplar a cadeia do petróleo
como um processo único, onde os impactos se sobrepõem
e os efeitos se somam.
Para que as atividades petrolíferas se desenvolvam
de forma sustentável e integrado necessita uma
boa interação entre os envolvidos, com
o objetivo de evitar danos à natureza e prejuízos
para a sociedade. Na convivência diária,
o Monitoramento e o Acompanhamento Comunitários
revelaram-se como excelente ferramenta de comunicação
social, a exemplo da experiência da empresa Grant.
As informações e experiências adquiridas
foram de suma importância para poder entender
e avaliar o impacto das atividades de exploração
de gás e petróleo e meio de discussão
com os grupos sociais.
O presente relatório deverá ser divulgado
entre os moradores da região, informando os mesmos
sobre os acontecimentos e envolvendo-os no processo
de exploração de petróleo e gás.
Reivindicamos um monitoramento constante da biota e
da pesca, criando um registro contínuo dos recursos
naturais e dos impactos ambientais, tanto da atividade
petrolífera como qualquer outra. A partir dessas
informações, seria possível entender
melhor o desenvolvimento dos recursos naturais, em relação
às atividades econômicas.
É preciso dar continuidade ao acompanhamento
comunitário e aperfeiçoá-lo, em
busca de um desenvolvimento sustentável e integrado
das diversas atividades do Baixo Sul da Bahia.
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